...por anos era assim que eu acordava: 04 da manhã, lá estava "ieu" vivendo na minha velha e boa Ponta Negra (Natal/RN)!!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Eu Choro



Choro por Paris e as tantas mortes;
pela jovem que dançava freneticamente:
rock, outro cigarro, outra dose,
o êxtase sublime de estar viva!
Dança despreocupada celebrando a alegria,
alheia à proximidade de seu algoz,
espírito livre - susto, gritos, correria,
tudo tão rápido, tão desconexo...

Choro pelo que morreu e matou, suicida,
um dia criança esculpida pelo ódio,
carregada de dores ideológicas em si:
matar e morrer, o único caminho!
Vingar seus pais, seu país, seus ideais,
libertar seu povo, seu deus, sua dor;
na decisão, amarrar a morte em seu corpo,
alma liberta voando em pedaços...

Choro pelo rebanho de imigrantes vagando,
fuga confusa numa marcha sem rumo,
trocando tradições por um mundo "civilizado",
tornando-se ilegais, mendigos, rejeitados!
Sujam as ruas causando revolta,
semeiam o medo por todo o ocidente,
xenofobia disfarçada em temor:
"Se vão ficar aqui, não saiam de seus guetos!!!"...

Choro pela negra suja e maltrapilha
na aldeia de zumbis perambulando desconexa,
esguia, esquelética, em busca de comida
e da tal dignidade, há muito roubada!
O câncer do ocidente - detrito colonizado,
país redesenhado, tão pilhado e saqueado:
África, um dia berço da civilização,
hoje cemitério - aqui jaz a raça humana...

Choro pelo chinês escravo num navio
produzindo sonhos ocidentais em troca dos seus,
família, lembranças, brincadeiras de criança,
tudo para trás em nome da sobrevivência!
O belo "Nike" importado - sonho de consumo
comprado à prazo - sonho à vista,
ao lado do corpo de um jovem sonhador:
era um lindo tênis vermelho - da cor do seu sangue...

Choro pelo menor descalço na rua,
excluído da nossa redoma confortável:
McDonald's, Papai Noel, Smartphone,
uma criança querendo apenas ser igual!
Frustração que dói bem mais que a fome,
cujo remédio alucina, alivia a dor pelos pulmões:
e fuma, e pede arma, e pede raiva,
e mata para ter seus pés calçados...

Choro pelos sonhos de um homem,
comerciante, já tão roubado pelo Sistema,
bom mineiro, guardou dinheiro no colchão,
e veio a lama e levou-lhe, lavou-lhe os sonhos!
Barro tóxico a criar suas sepulturas,
enterrando vidas, arrastando cadáveres,
sepultando a cidade e suas lembranças:
dinheiro sujo sufocando rios e mares...

Choro, enfim, por quem você vê
e também por quem não conhece;
choro pelas tragédias noticiadas,
e pelas que não saem nos jornais;
choro pelo amanhecer no calçadão,
mendigos acordando com o cheiro do café;
choro pelo olhar do vendedor de cigarros paraguaios,
preocupado com a chegada dos fiscais...

Choro por você que como eu, vive aqui,
nesse mundo desumano e desigual;
instintos à solta - matar e morrer,
destruição de almas, de sonhos, de vidas;
choro por mim, que vejo isso acontecendo
e fico aqui sentado, fumando e escrevendo,
relatando tragédias e tomando outro café
enquanto meus irmãos choram suas dores...

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Barba McCoy

Barba McCoy e Outras Histórias




Barba McCoy nasceu de um delírio, numa época em que eu amava a vida de maneira como não se deve amar – pelo menos não tanto assim. Mesmo no segundo casamento e já com três filhos pequenos, a ânsia de beber – e principalmente comer o mundo – ainda tomava conta de mim, tal qual na adolescência.
Minhas prioridades então não eram nada condizentes com as de um pai-de-família tradicional. Surfar, beber “y otras cositas más” eram sempre minhas primeiras escolhas. Uma bussola “sui generis” que, além de afastar-me do caminho para a obtenção do titulo de “Bem Sucedido” também resultou em destituir-me do trono familiar.



Naquela época, embora encontrasse alegria em diversos lugares, a experiência de ter filhos era a que mais me agradava. Sem apologias ou sentimentalismos, quanto a eles, a palavra AMOR é insuficiente para adjetivar o que sentia (e sinto) por eles, desde quando chegaram por estas bandas. Mesmo sem ter os padrões cronológicos bem definidos, guardo a emoção de cada momento que passamos juntos: risos, cheiros (e fedores), conversas, lutas, “artes”, broncas, cumplicidade, amizade...


Um dos momentos que eu mais gostava era quando eles me pediam para que lhes contasse histórias, geralmente na hora de dormir. Quase sempre deitados, olhos fixos em mim, esperavam o “Era uma vez...”.
Não, não eram histórias pré-fabricadas, daquelas que todos contam a seus filhos. Eu as inventava naquele exato momento em que a expectativa deles exigia de mim uma narrativa apropriada. Então um objeto qualquer no quarto ou a lembrança de algo corriqueiro (muitas vezes ambos) se juntava ao que eu recordava de um filme ou música. E na forma de um delírio, começava mais uma “epopeia”, daquelas que nem eu tinha ideia de como seria. A ação ia-se descortinando no exato momento da narração. E ganhava forma, encorpando-se à medida que os olhares dos meus espectadores-mirins, esbugalhados, expressavam, mais que curiosidade, interesse real. Olhos atentos, movimentos nervosamente involuntários e risos impacientes eram o combustível ideal para a criação espontânea. E tudo o que pairava a nosso redor ia se encaixando – ideias, palavras, personagens...



Muitas dessas histórias tinham vida curta – duravam apenas aquela noite. Outras foram tão marcantes que, invariavelmente, suas continuações eram exigidas. Nesses casos, personagens eram mantidos e o que mudava era o desenrolar dos acontecimentos. Como as histórias da “Bola Azul”, onde os meninos eram tragados por uma bola (azul, claro) que aparecia em um determinado lugar e os transportava para outra dimensão, onde, num mundo azul (...) várias aventuras aconteciam. Tinha também a do “Multi Homem”, um cara muito atrapalhado que fora atingido por um minúsculo pedaço de um planeta mágico, bem no momento em que estava na sala-dos-espelhos de um parque - sozinho, com milhares de imagens suas refletindo-se ao seu redor. Tal acidente então lhe deu “poderes”, fazendo com que ele se transformasse involuntariamente em tudo o que pensasse ou falasse. Poder este que lhe causava mais efeitos colaterais que benefícios...
E teve a do Barba McCoy, que surgiu de um jeito diferente. O que era somente para preencher a lacuna de um momento sem inspiração acabou sendo uma história com muitas continuações (capítulos, eu diria). Tamanha era minha paixão por contar a saga do Barba (e a dos meninos em ouvi-las) que, uma vez, minha “ex-posa” (na época esposa) pediu-me para alugar um filme do Barba McCoy. Eu não acreditei! E quando disse a ela que o Barba era apenas o delírio criativo da minha mente doentia, que eu tinha inventado todas aquelas histórias, vi as expressões do seu olhar alternando-se por três fases quase ao mesmo tempo: incredulidade, tristeza e gargalhadas, nessa mesmíssima ordem! Tão real que era a saga do Herói...




Sim, por ora falarei a vocês sobre Barba McCoy. Primeiro, para entender você tem que procurar uma musica chamada Papa Barkoye, da excelente banda de reggae Alpha Blondy (pode ser em https://youtu.be/m4XWtLF1k4Y). Aí, escute essa musica umas 4 ou 5 vezes, de preferência sem tentar entender o que ele está dizendo (isso vai ser fácil) – apenas sentindo a melodia. Então, com a minha “versão” em mãos, escute a música outra vez, devagar, tentando encaixar a minha “versão” ao que escutar. Leia cada frase somente quando ele estiver cantando aquele trecho... Como se fosse exatamente a letra da música. Leia devagar... Aí é só dar asas aos pensamentos...
Um último parêntesis: desde pequeno eu era fã do Rock’n roll e suas vertentes. Principalmente musicas em inglês. Não, nunca fui um poliglota, embora tenha fluência no espanhol. Meu inglês limita-se a saber que o livro sim está sobre a mesa! O que me fazia (e ainda me faz) gostar de músicas num idioma desconhecido é justamente a minha ignorância, pois esta não me deixa aprisionado às ideias contidas nas suas letras. Meu fascínio tem mais a ver com criação do que com o sentido em si. Explico-me: cato as palavras que entendo, misturo-as com a melodia e pronto – cria-se o significado da canção para mim! E, pasmem, passo anos gostando daquela música que me diz exatamente o que quero! Assim tem sido! Assim continuará sendo!  Assim nasceu Barba McCoy... Coloque o som e “enjoy it, Joey...”

Clique AQUI e acompanhe a leitura ao som da música



Barba McCcoy

Barba McCoy, sou Barba McCoy,
sou eu, surgindo da lama;
Sou Barba McCoy, Barba McCoy,
olha, eu não sou do mal;
Barba McCoy, sou Barba McCoy,
voltei, lutei, sei atirar;
Sou Barba McCoy, Barba McCoy,
olha, eu vim me vingar...

De casa saiu, beijou a mulher, foi viajar,
sua casa então queimaram com a mulher que adorava;
Gente da lei matou sua mulher e filhos – vou vingar,
e ele entrou na noite escura da cidade, pra matar;
E vencerá, e à pé foi lá, até achar, e com o pé chutar;
o pé foi lá, o pé foi cá, e com os pés matar;
E os capou, depois matou, aqui, bandidos, ali, quinze, vinte:
“Enterrei na bosta...!!!’;
“Vou cavar, vou cavar, vou-ou-ou-ou: Farei um cemitério!!”

Eles mataram pra me roubar,
Prefeito, Xerife, vou me vingar;
E no Saloon entrou a atirar,
e o prefeito conseguiu matar;
Não vale à pena implorar,
pois nem a lei eu vou perdoar;
E então depois ele foi chamar,
Xerife e Polícia pra duelar;

Barba McCoy, sou Barba McCoy,
em pé, não durmo na cama;
Sou Barba McCoy, Barba McCoy,
as armas sei usar;
Barba McCoy, sou Barba McCoy,
mijei, deixei a barba;
Sou Barba McCoy, Barba McCoy,
olha só meu bigodão...

E na tarde quente de escaldar,
na rua deserta um tufo a voar;
Seis capangas e o Xerife lá,
e o Barba começou a atirar;
Os tiros começaram a soar,
e sete corpos a despencar;
McCoy coçou o bigode e a barba,
e partiu então soprando sua arma...

Então depois de se vingar,
fugiu sozinho a cavalgar;
e pelo Oeste foi viajar,
“Sou procurado, vão me matar...”;
E vou apenas te falar:
Não vá de medo se cagar;
Se um dia precisar se vingar,
é só meu nome então chamar...



Claro que a história inicial do Barba McCoy não era EXATAMENTE a que você acabou de ler, pois a original foi um rompante de um belo momento que ficou para trás. E como geralmente essas histórias eram contadas com a música original ao fundo, então inúmeras versões se sobrepunham a cada “recontagem” dela. Mas a ideia inicial dela e meu “Poder Demente” ainda estão aqui. E, impregnado de amor e saudade dos meus filhos, aceito de muito bom grado relembrar este momento e por fim escrever a saga do Barba Mccoy...





terça-feira, 18 de agosto de 2015

Sobre Fernando de Noronha e Porto de Galinhas

CONHECENDO E VIVENDO NORONHA & PORTO DE GALINHAS

BAD AS IGUANA BE...


Eu tenho areia debaixo das unhas nos dedões dos pés. Fica preto assim, nos cantos. Dá pra ver, pois ainda estou de chinelos. Areia escura, de origem vulcânica, vinda de Fernando de Noronha. Não é sujeira – é um pedaço do paraíso que carrego comigo, junto de tantas lembranças...
Recife, orla de Boa Viagem. Park Hotel. Bonito e bem funcional (ótima dica dada pelo meu amigo Aldo Garcez). O lugar, bem, urbano demais. Gente demais. Carros demais, principalmente quando se chega de Noronha. A ILHA!!! Eu gostaria de morar lá. Já em Recife, moraria, ainda que a contragosto. Nada contra a cidade ou seu povo, só contra o “muita gente”. Em Curitiba, onde moro, a falta do mar sufoca minhas guelras: muita gente, nenhuma praia – péssima combinação! Preciso do mar para viver. Simples assim...
foto clássica: da praia do Sancho, morro Dois Irmãos ao fundo.
Em Noronha, quatro dias numa pousada domiciliar – Pousada da Gaúcha. Simples – simplesmente perfeita! Antes de embarcarmos pra Ilha ficamos oito dias num “big” hotel - Village Porto de Galinhas. Lugar lindo e completo, com um inesquecível café da manhã, conforto e inúmeras piscinas. Na praia do Cupe onde surfei ótimas ondas praticamente sozinho. Mesmo num Hotel grande e nada rústico, os caras mandaram bem na sua estruturação: para mim é um Hotel na categoria dos Resorts... Mas foi na Ilha de Noronha onde me senti melhor. Natureza exuberante com simplicidade. Longe do mundo artificial que nos cerca diariamente. Não adianta, sou bicho-do-mato mesmo... Digo, bicho-do-mar...
...sim, sou um bicho-do-mar...

Sendo um pouco cronológico, vamos à Porto de Galinhas:
1.      Do hotel em Porto de Galinhas: Não há o que reclamar. Tivemos um problema no primeiro dia com o colchão (feito de pedra). Ao reclamarmos, trocaram por um colchão que, além de duro estava molhado. Isso mesmo! Reclamamos, e como não dava pra resolverem naquele momento (era noite já), retornaram o colchão “ortopedrico” por aquela noite, prometendo resolver no dia seguinte. Resolveram, mas um novo colchão ainda meio empedrado... tudo bem!!!! 
uma das piscinas do Village Porto de Galinhas: muuuito bom!!!!

     Compensado pelo excelente café da manhã, espaços bacanas e confortáveis no hotel, shows de música noturnos (o cantor italiano Francesco conseguiu me fazer cantar e até dançar)... e o mensageiro, João, gente finíssima, ótimo funcionário e pessoa;
engorda-se muito no café da manhã - hotel Village Porto de Galinhas

2.      Das comidas em Porto de Galinhas: Centrinho bacana, muitos bares e restaurantes nada baratos, começo de agosto sem tanta gente perambulando por lá (dizem que na temporada fica lotado, tipo centro de Sampa); destaques: restaurante Domingos (pelo nome já vale); Gula da Praia (https://www.facebook.com/pages/Gula-da-Praia/858600180829380), lugarzinho modesto mas com bolos excelentes);  Creperia La Creperie (http://www.lacreperie-pe.com.br/), pra mim o melhor de lá; Òtimas tapiocas na Tapioca da Praia (https://pt-br.facebook.com/pages/Tapioca-Da-Praia/336202679793830); Casa da Francesinha, num mini shopping, onde você TEM que comer um sanduíche chamado “Francesinha”; Barcaxeira, famoso, mas só vá se você REALMENTE gosta de alho (os caras parecem temer vampiros). Tem ainda o La Tratoria, onde o jantar, pra mim, ficará sempre na memória (pena que já saiu do estômago).
La Tratoria: numa ruazinha transversal: procure que vale à pena!!!

         E pelas ruas do centro é só andar que você encontrará outros lugares pra todos os bolsos, dos chiques aos PFs...
no passeio à praia dos Carneiros você toma banho de argila... e cresce o nariz!!!

3.      Dos Passeios em Porto de Galinhas: Bom, conhecer o lugar é preciso rodar... Das agências por lá, seguimos umas dicas e contratamos a PIMENTEL. Os caras são bons e até certo ponto seus preços são justos. O passeio ponta-a-ponta é bacana, pois num dia o Buggy te leva pra conhecer as principais praias e termina no rio Maracaípe, onde você passeia de jangada e vê um cavalo marinho envelhecido num vidro (o jangadeiro jura que acabou de pegar). Depois tem o passeio “city tour” a Recife e Olinda (muito bom);  Passeio à praia dos Carneiros, onde o intuito é te deixar num restaurante, ao final, consumindo... Os passeios em si são legais, mas naquele esquema “gente, temos N minutos aqui... próxima parada, N minutos”, ou seja, tempo cronometrado nas paradas. Não gosto muito disso, mas sim vale à pena!
quarto no Village Porto de Galinhas...

4.      Da Ilha de Noronha: Bom, esqueça o luxo, o glamour, etc. Não tente comparar a Ilha com Paraty, Búzios ou Angra (os lugares charmosos e da moda). Ainda bem que a Ilha é diferente. Rústico mesmo, selvagem. Mesmo que você esteja cheio da grana e fique nos hotéis com diárias a partir dos 1.500,00, seu dinheiro não te evitará de andar por ruas esburacadas onde barro ou poeira estarão sempre com você.
Fernando de Noronha...

5.      Dos Passeios na Ilha: Contratamos pela agência Costa Blue (https://pt-br.facebook.com/CostaBluePasseioseReceptivo). Os caras, além de excelentes profissionais e atenderem muito bem, têm passeios excelentes e se você perguntar ainda dão dicas de restaurantes bons e baratos (digo, não tão caros). Fizemos um Ilha Tour, onde você conhece as principais partes da ilha e o melhor, aprende a se localizar e se locomover por lá. E outro passeio que fizemos de barco, pela manhã, onde pudemos ver a Ilha por barco.
tartaruga que "capturei" mergulhando na Baía dos Porcos...

          Não deixe de conhecer a praia do Sancho, por onde você chega através de uma escadaria sofrível pelo meio das pedras – vale à pena, pelo visual fora e dentro d’água. Essa praia é visitada nos dois passeios aqui citados, sendo que, de barco, você pode mergulhar na praia sem ter que descer (e depois subir) a escadaria. Fácil ver tartarugas, arraias e diversos peixes. Tubarão só vi mesmo no mergulho na praia do sueste – bem pertinho de mim. Pôr-do-sol: vários lugares escandalosamente bonitos para isto: Conceição, Forte da Vila dos Remédios, Boldró, enfim, onde você for, certamente se deliciará em fotos e visuais arrebatadores.
6.      Do Mergulho na Ilha: leve nadadeiras e máscara, pois TODAS as praias de Noronha te oferecem mergulhos de snorkel com visuais fantásticos. Repito: TODAS as praias de lá são fantásticas!!! Nós havíamos contatado mergulho de cilindro (batismo) com uma agência que muita gente havia indicado: Águas claras. Mas a sinusite me atacou pesado, deixando-me simplesmente sem conseguir respirar nem sentir gosto das comidas... Com medo de que um mergulho de 10 metros ou mais piorasse minhas condições, cancelamos o mergulho e fomos até a praia do porto.
mergulho na praia do porto: Outro mundo...

            Não imagine uma praia com um porto tradicional como você conhece – ali são aguas transparentes também, como em todas da ilha. Lá conversei com um nativo gente finíssima, o BODÃO, instrutor habilitado de mergulho. Fizemos um trato: Um batismo num mergulho ali mesmo, 4 metros na maré seca (na cheia chega a 7), e se eu sentisse dor, não pagaria nada. Em vez dos 400 reais do batismo em alto mar, o preço do cara é 250. Bom, deu tudo certo, graças aos excelentes instrutores que ele nos disponibilizou (ele mesmo não mergulhou porque também estava com problemas de sinusite...). Os caras explicaram muito bem o que e como deveríamos fazer. Testamos primeiro no raso e fomos indo... até chegarmos a um naufrágio de um navio grego, onde chegamos a passar por dentro de parte do convés dele. Então??? Fantástico... mesmo!!!! Se você nunca mergulhou e está receoso, ou gripado como eu, bem, procure o BODÃO. Você não vai se arrepender...
nós e a equipe do Bodão (o de boné)... Muito bacana!!!

7.      Da Ilha em si – considerações finais: Ou você é um dos milhares de turistas que chegando lá gasta os tubos nas taxas de preservação e em passeios, mais ainda nos preços absurdos das coisas  e depois vai embora (envolto numa bolha sem saber o que acontece), ou você se informa. Não nos sites de dicas de viagem, mas conversando com os locais. Ande de ônibus por lá (3 reais e bem fácil de se locomover). Quando estiver na praia, pare e converse com os nativos sobre a taxa de preservação. Questione do porquê das ruas estarem todas esburacadas; pergunte sobre as máquinas escavadeiras enferrujando (doação do Governo Federal), paradas e sem uso.
Flávio, recepcionista da Pousada Gaúcha e responsável pelo que aprendi DE VERDADE sobre a Ilha

          Questione aos motoristas de taxi sobre o novo “dono-da-ilha”:  Eike Batista que ganhou a licitação para a construção dos decks nas praias do Sancho e Sueste (praias que cobram entrada para sua visitação), mas que tal dinheiro não é revertido para sua manutenção ou para a população local. O que o Governo está fazendo com a Ilha? Sugando seus recursos até a ultima gota. Gerando empregos aos seus protegidos para que eles nada façam para melhorar o local. Permitindo que alguém de fora arrende várias pousadas por lá para assim obter permissões e facilidades que não são dadas aos nativos em troca de dinheiro... Conheça mais sobre os problemas da Ilha, interesse-se, divulgue isso, mas acima de tudo, cumprimente os locais sempre que passar por eles. Lembre-se: eles estavam lá muito antes de você saber que Noronha existia. Então você entra na Ilha, invade seu local, lota suas praias, suja suas ruas e a dinheirama que deixa lá não ajuda a eles – esse dinheiro vai para algum investidor que vê a cor esmeralda da natureza de como uma simples pedra preciosa...
             Dois vídeos: eu mergulhando na praia do Porto 
video

       Áudio (o vídeo não está legal) com uma menina de uma escola cantando o Hino de Noronha: Sim, estivemos lá no dia do aniversário da Ilha (512 anos), mas quem ganhou o presente fomos nós. Parabéns Fernando de Noronha. Desejo que consigas sobreviver a todos os que te usurpam!


VIDA LONGA A FERNANDO DE NORONHA!!!
video


quinta-feira, 21 de maio de 2015

HORA DE ACORDAR

21_Maio_2015. Vejo nosso país como está. Ouço rádio, leio jornais e assisto aos telejornais. Não acredito em tudo o que me passam. Mas penso... Penso e me sinto mal quando chego à obviedade do nosso destino sob o domínio dos que estão no poder...

Então escrevo. Escrevi uma PEQUENA (PEQUENA MESMO) historinha sobre o que penso disso tudo. Leia, comente, pense...



HORA DE ACORDAR


Definitivamente, agora era a hora de acordar! Hora de repensar, decidir... de agir! O tempo havia passado muito “daquela” forma, envolvendo-o de tal maneira que até hoje acreditava ser aquela a única forma de agir. Deixara-se levar pelas circunstancias, pelos muitos momentos iguais, principalmente pelos outros. Pelo sistema... Culpado! Sim, sabia que era culpado. Traía cada vez mais a confiança da multidão. Seu povo, seus eleitores, os menos favorecidos, todos eles ainda o aplaudiam, clamavam por uma sobra de suas benevolências financeiras e favores. Desconheciam o submundo podre por onde se envolvera eterna e perenemente. Uma intrincada teia de relações impossíveis de ser desfeita. Um mundo onde as injustiças assumem forma de leis, feitas e gerenciadas por e para homens como ele. Criando um sistema hermeticamente protegido onde o equilíbrio está apoiado nas costas de todo o país. Afinal, como pode existir uma classe superior se esta não se sobrepuser às inferiores?

Por que acordar? Simplesmente pelo prazer de conseguir deitar-se outra vez em seu travesseiro com a cabeça livre de todos aqueles pensamentos que o incomodavam ultimamente. Não eram ideias religiosas ou de arrependimento moral, nada disso. Era apenas ele que se dera conta do custo de todo aquele desequilíbrio monetário a seu favor. Enquanto ele vivia tendo que esconder dinheiro devido ao seu excesso, grande parte das pessoas (incluindo-se aí muitos eleitores seus) morria pela falta do vil metal. Nada de amoral nisso, apenas sentia um desconforto estranho quando o vidro fumê do carro blindado permitia que olhasse nos olhos de um simplório das ruas.
Em tempos de CPIs e delações premiadas tão em voga, talvez esse fosse o momento de sua redenção. Simplesmente gritar, enaltecer as tramoias em alto e bom som, esparramando todo o esterco contra o ventilador – e na potência máxima! Sim, certamente seria punido com isso. Por fazer parte dos esquemas de desvios e propinas (palavras já cotidianas nesse país) teria uma pena a cumprir e alguns bens a devolver. Alguns meses trancafiado – com sorte em sua própria sala de estar bebericando seus maltes escoceses, e logo tudo estaria resolvido.
Então a hora era essa! A hora de enfim fazer o que era certo. Diferente de seus “colegas” que, quando lhes batia o desespero gritavam a plenos pulmões - em plenária - que ganhavam pouco, que tinham que pagar para trabalhar. Isso sem o menor pudor! Para então decidirem não “se”, mas “em quanto” aumentariam seus vencimentos. Não... Era hora de honrar finalmente seu nome, pois o sobrenome já estava demasiado sujo pela ascendência política. Claro que não teria mais futuro político nenhum. Melhor assim... Com os bens e patrimônios “laranjas” que tinha, abriria uma empresa de consultoria e viveria de palestras e livros. Seria como recomeçar do zero, mas com ótimo aporte inicial.

            Acordar... O blackout das janelas não deixava saber se amanhecera realmente – melhor consultar seu Iphone6 no criado mudo. Quase oito da manhã! Saltou rapidamente da cama e, vencendo a vertigem causada pelo brusco movimento, caminhou a passos rápidos até o closet. Melhor tomar uma ducha rápida em vez da hidromassagem costumeira. O terno da vez seria o Armani, e a gravata, bem, Roberto Cavalli pra variar um pouco. Hoje era melhor usar os sapatos da Testoni, pois em dias chuvosos, como o motorista nem sempre conseguia evitar as poças de água, esses “pisantes” não molhariam seus pés.  Grunhiu nãos silenciosos à copeira em resposta ao café da manhã. Sem tempo para saudar o chofer, entrou apressadamente no banco de trás de seu BMW (blindado, claro) e partiu em direção à Assembleia.
Ainda que fizesse parte de um partido aliado ao Governo local, sabia que o retumbar de sua decisão lhe custaria caro. Pois mesmo apresentando todas as provas que tinha à justiça, esta jamais tocaria nos poderosos. No máximo algumas notas na imprensa subversiva, a “não-comprada” por Eles e os digníssimos parlamentares reunidos rejeitariam a instauração de uma CPI. Afinal, o apoio de seus entusiastas correligionários era volúvel – fidelização sempre é derivada de Poder! Algo que perderia tão logo começasse a balburdia. E tudo terminaria assim, ele sendo punido por sua “mea culpa” e pronto! Certamente cassariam seus direitos políticos, e sem nenhum acordo.
Matutava com sua consciência quando o celular o tirou daquele limbo. Daquele sonho. Era o Ministro. Era sua garantia de estar vivo. Parecia ter adivinhado seus pensamentos. Naquele tom celestialmente inquisidor que lhe era peculiar, apenas indicou-lhe o que fazer. Mais uma empalmação a ser dividida. Dinheiro, muito dele. Dinheiro vindo das esferas federais, extraoficialmente destinados às suas necessidades pessoais. Dinheiro resultante de pagamento de grandes corporações que fogem do fisco. Dinheiro oriundo, em qualquer caso, do que o governo legalmente subtrai de quem vive nesse país. Nada diferente de quando os Senhores Feudais extorquiam os vassalos. Ou dos pequenos comerciantes pagando proteção da máfia, à máfia.

A isca das CPIs visíveis já tinha sido mordida pela imprensa amiga e jogada ao povo. Enquanto este grita nas ruas clamando por um basta à corrupção, seus olhos encabrestados miram apenas o que lhes é permitido. Cegas, as pessoas consideram aceitável uma constituição que institui intocabilidade e foro privilegiado a seus representantes. Descaradamente, parlamentares trocam seu apoio por cargos e poderes. Quando um projeto é aprovado na “Casa”, seu valor social já está superfaturado, pois o preço de sua aprovação já provocou mais um rombo nas finanças. Esse é o Sistema Legal vigente; sob essa égide, vive a população.  Um equilíbrio que não é privilégio tupiniquim, senão que um modelo capitalista adaptado à nossa realidade. E tão bem adaptado que é aceito como legítimo.
Era hora de mostrar sua hombridade política e moral. Desvio rápido até o escritório da grande empresa (Fachada S.A.) para recolher seu quinhão. Tirar alguns milhões indevidos de circulação e escoá-los para outro país. Assim manteria a paz e a ordem sociais em dia. O equilíbrio tinha que ser mantido, inclusive para o bem de todos! Assim era o mundo, daquele jeito, o jeito certo de estar. Melhor não tentar mudar as coisas, pois talvez até piorassem...

            Havia desequilíbrio, opções e livre-arbítrio; O mundo agora era como deveria ser. Desígnios. Por ter nascido onde e como nascera, um negro favelado geralmente orbitava àquele redor, seu universo. Escolha divina aliada à opção inconsciente. Muito difícil abandonar sua origem – predestinado a estar sempre abaixo dos demais. Exatamente pelo mesmo motivo que ele, por ter nascido onde e como nascera, era destinado a estar ali, gravitacionalmente ligado ao poder, mantendo a constância daquele universo. Viera de um universo superior e seu destino era permanecer nele.
Certamente teria outra vida para ele se arrepender, outra reencarnação para enfim fazer o certo. Sim, escolheria na próxima vez nascer alguém miseravelmente pobre – assim pagaria todos os seus erros para com Deus, com o cosmo ou o que quer que fosse... Viveria cada momento de suas desgraças conscientemente, regozijando-se  até, para então redimir-se com o Criador. Mas agora era hora de acordar para a realidade de seu destino – o de ser simplesmente Político. E com um sorriso no canto do rosto, simplesmente ligou seu “Ultrabook” e não mais olhou para as ruas...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Introdução de um novo conto

AS CORES DO CÉU - INTRODUÇÃO

APRESENTO-LHES AQUI A INTRODUÇÃO DE UM NOVO CONTO... AS CORES DO CÉU. 

Este é mais um dos meus devaneios. Quando se quer ser um escritor conhecido, devanear á mais do que necessário... Espero  que gostem, critiquem e comentem algo... Boa leitura. Logo estarei publicando o conto em si - que está em fase final, ou seja, correção e acabamentos...


AS CORES DO CÉU - INTRODUÇÃO
imagem de http://reflitasim.blogspot.com.br/2012/04/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

Não fosse a sabedoria do ser humano, sua evolução, seus conhecimentos e principalmente a aplicabilidade destes, principalmente na área de tecnologia, como faríamos para transmitirmos todas as informações que nos são essenciais? Sim, porque o mundo como vemos hoje só é possível graças à nossa capacidade de trocarmos tantos dados – e em tempo real. Grande parte das sociedades simplesmente não saberia viver incomunicável. Das crianças e adolescentes, cujas personalidades dependem diretamente das redes sócias, aos adultos com seus celulares e computadores, todos pereceriam num atroz e entediante isolamento. Afinal, quanto tempo você consegue ficar incomunicável? Sem nenhuma interação tecnológica? Quanto tempo você aguenta tendo como companhia apenas você mesmo?
Quando digo interação, incluo aqui também as comunicações unilaterais, as de “um-para-muitos” – rádio, TV e todas aquelas que somente elas “falam” conosco. Sim, há interatividade quando choramos em frente às novelas, quando torcemos pelo nosso time com o radinho grudado ao ouvido ou quando simplesmente nos questionamos por que diabos estamos ainda assistindo aquele horrível programa de auditório.
Você pode até pensar que exagero, pois náufragos podem ficar dias à deriva, verdadeiramente incomunicáveis e sim sobrevivem. Mas aí não vale, pois enquanto boiam, seus cérebros estão ocupados demais tentando descobrir como sobreviver. Mas, ficar sozinho, ali, consigo mesmo e mais ninguém, causa arrepios na maioria das pessoas. Talvez por estas não aceitarem com quem acabam se confrontando em tais situações.
Imagine se nós, humanos, não tivéssemos juntado e cruzado tudo o que descobrimos e aprendemos na matemática, na física e na química (as mais terríveis e assustadoras disciplinas da escola) e, assim, desenvolvido todo o nosso atual sistema computacional - e principalmente o de telecomunicações. Como então faríamos para transmitirmos nossas preciosas informações?
Pombos-correio talvez fossem a solução, pois estes foram um dos primeiros meios de comunicação usados por nós. Mas, com o grande volume de dados que necessitamos hoje, usarmos esses bichos deixaria nosso mundo, digamos, diferente. Imagine você, na hora de ter que transmitir seus dados, encaminhar-se até a “gaiolinha” do seu pombo e, após amarrar a mensagem nele (o cheiro de penas nunca mais sairá de seus dedos), ir até a janela, abri-la e soltar a ave... e então lembrar que faltou uma parte da informação...
Visualize agora, no mínimo, um pombo por cada ser humano na terra. Isso sem falar nas empresas, verdadeiros monstros transmissores de dados. Seriam necessárias quantas aves? A procura, enorme, geraria uma oferta maior ainda. Teríamos à nossa disposição marcas, cores e modelos de pombos distintos - baseados em na autonomia de voo, nas cores, formatos do bico, asas, enfim, uma gama de opções para cada necessidade.
Como consequência, nosso mundo seria fétido e oxidado, tamanha quantidade de fezes (novas e petrificadas) a emoldurar nossa paisagem. Se não percebe o que quero dizer, olhe por um instante aquelas “coisas” esquisitas e duras que sempre adornam os bancos das praças nas grandes cidades... Talvez nem mais o céu pudesse mais ser visto, devido ao transito constante desses pássaros. Seu azul seria substituído por uma massa de cores alternadas: branco, marrom, preta ou quem sabe todas as cores, pois certamente muitos pombos seriam pintados para uma melhor identificação – ou talvez até simples propagandas. Isso tudo sem citar as constantes chuvas de pena e merda: simplesmente impossível transitar pelas ruas. Olhar para cima então, nem pensar!
Outro problema seria a fragilidade desse sistema comunicativo. Lógico que os pombos não estariam mais categorizados como animais. Seriam eles definidos como Dispositivos de Comunicação Bilaterais, e o conjunto destes, Meio de Transmissão. E a principal ameaça a esse sistema seriam os gatos e outros predadores naturais – agora então classificados como Bloqueadores ou Barreiras Naturais de Comunicação. Sim, pois estes poderiam impedir totalmente a troca de informações: ao assassinarem os pombos, causariam o rompimento da comunicação em si. Ou causar interferências ou ruídos resultantes das perseguições, onde o pombo, ao final, ou retardaria muito a entrega dos dados (tornando-os obsoletos) ou, perdendo seus sentidos e/ou asas, chegaria com apenas parte da mensagem. Para impedir tais problemas, todos os gatos (e demais predadores) deveriam ser simplesmente eliminados em sua totalidade. Não...!!! Não dá pra imaginarmos um mundo sem esses belos e temperamentais bichanos! Pobres ratos, devem ter ficado empolgados com a ideia...
Então nosso desenvolvimento tecnológico, além de nos permitir uma comunicação segura e eficiente, garantiu também a sobrevivência dos gatos (e outros predadores), além da permanência dos pombos no reino animal. Graças a nossa inteligência, hoje os pombos são animais urbanos que habitam as praças e casarões abandonados e antigos, diferenciando-se dos mendigos pela capacidade de voarem. Os pombos, claro!

Em meu laptop pesquiso diversos assuntos necessários aos meus escritos. Dados técnicos, imagens, nomes e características de várias “coisas” que tento descrever como se me fossem familiares, embora geralmente eu não tenha a menor ideia sobre estas. Isto sem falar na constante pesquisa do tipo “como se escreve...” em relação a algumas não poucas palavras (por que não me formei em Letras?). A cada pesquisa, meu Modem envia minhas perguntas (requisições) ao mundo virtual e, num instante, as respostas – nem sempre úteis – estão de volta, de algum lugar do espaço, novamente ao Modem. Então estas, via Wi-Fi, percorrem o espaço pela casa à minha procura, até me encontrarem em qualquer um dos cômodos daqui. Quase, pois se eu estiver no banheiro, para conseguir acesso à internet tenho que estar em uma posição “malabarística” (como um daquelas estátuas ridículas dos chafarizes na ponta do pé), apontando o equipamento em direção ao lugar onde habitado pelo Modem. Não, de maneira alguma reclamo desta particularidade, pois se usássemos pombos, provavelmente eu não nunca conseguiria concluir meus escritos, tanto tempo passaria tendo que interromper meu trabalho tendo que limpar a casa constantemente dos resquícios fedorentos e penosos resultantes de cada acesso à Web que fizesse. Agora chega de pombos!!!

A comunicação a distancia, ao ultrapassar a fase dos sinais de fumaça (e a dos pombos-correio...), ganhou, no telégrafo, seu grande e definitivo salto, por volta de 1900, quando a transmissão dos sinais deixou de ser elétrica, passando a ser feita por ondas de rádio. Ou seja, as palavras já não se moviam mais presas, dentro de fios elétricos: simplesmente estas voavam soltas pelos ares.
Baseado na energia eletromagnética, temos hoje um sem numero de ondas pairando ao nosso redor, inclusive para além da atmosfera. Da televisão ao forno de micro-ondas, tais ondas estão mais presentes em nossas vidas do que supomos.
Existe um mudo paralelo ao nosso redor, intocável e imperceptível, repleto de frequências, vibrações e energias. Como uma enorme teia de aranha ocupando o nada – justamente por não poder ser vista. Vagam pelo ar ondas provenientes de rádios, satélites, televisores, celulares e de muitas outras engenhocas. E, mais que estarem ao nosso redor, elas simplesmente atravessam nossas casas, nossos cães e até nossos corpos. E os dos pombos também (desculpem, não resisti!!!). Sim, quantas vezes não somos atravessados por conversas estritamente pessoais de celulares alheios, ou por e-mails altamente sigilosos? Talvez isto explique as frequentes dores musculares que venho sentindo ultimamente – pensei até que estivesse envelhecendo...
Tentar tornar este mundo paralelo visível, isso sim pode ser um verdadeiro exercício de loucura. Exatamente isso propus a meus alunos: imaginarem a visualização deste mundo virtual das comunicações. Como seria se pudéssemos enxergar as comunicações a nosso redor? O resultado foi deduzirem que, como surfista que sou, fumo maconha (mesmo apesar de careca e avô), tamanha “viagem”! Simplesmente lhes foi intangível. Da próxima vez lhes oferecerei um pensamento baseado num Sistema de Comunicações por pombos-correio (...).
Se ficou difícil imaginar o que propus anteriormente, então melhor pular esta introdução e ir direto ao ponto, digo, ao conto em si. Pois agora vou piorar um pouco as “cousas”.
As mensagens que viajam por aí na WEB, geralmente não o fazem da forma tradicional como conhecemos. Vamos tomar como exemplo um e-mail: após ser digitado, seu e-mail, quando ser enviado, sai pelo Modem e, esquartejado em pequenos pedaços (de bits), ganha os ares. Partes desconexas de um mesmo todo voando aleatoriamente, muitas vezes seguindo caminhos distintos. E, por cada pedaço (pacote) conter cabeçalhos com informações indicando quem/que parte/de onde/para onde, ao final eles conseguem ser reagrupados no local de destino, exatamente na ordem inicial.
Esta foi apenas uma explicação simplória. Agora, imagine toda a Internet funcionando: requisições de endereços, de páginas; envio de formulários; trafego de arquivos de imagens, sons, mulheres peladas, tudo isso (e muito mais) viajando despedaçados, flutuando ao seu redor. Caso seu cérebro ainda não esteja entupido, pense em quantas pessoas no mundo inteiro, neste exato momento, estão se comunicando, além da Web, via Watsapp, Twitter, Instagram... Bem, realmente isso tudo pode gerar algum enjoo ou tontura. Dados eletrônicos por todos os lados...
Prega-se oficialmente que existem níveis seguros da emissão de radiações não ionizantes - de natureza eletromagnética com frequência igual ou menor que a da luz. São as radiações usadas nas radiocomunicações em geral – rádio, TV, Wireless, etc. O problema é que não existem pesquisas concretas que demonstrem os efeitos das ondas emitidas por esses equipamentos, pois embora sejam radiações em níveis mais baixos, são contínuos. Somos então cobaias de tecnologias que ainda não se mostraram inócuas, segundo um conceituado professor da UFGRS (Rio Grande do Sul). O órgão que determina quais são os padrões “adequados” para tais radiações é o Icnirp (Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não-Ionizantes). Tais níveis são estabelecidos não baseados em estudos epidemiológicos, mas sim levando em conta outros parâmetros, como custo, benefício, eficiência e redução de custos. Ou seja: estudos econômicos, não humanos.
Outros países como Alemanha e Israel já pesquisam seriamente esse assunto. Aqui no Brasil, estudos feitos sobre os efeitos da “Poluição Eletromagnética” já existem e estão disponíveis na Internet. URGS, USP e outras são alguns exemplos de instituições que se preocupam com isso. A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), por exemplo, baseada em geoprocessamento constatou incidências de câncer próximo às antenas de celulares em Belo Horizonte. Aliás, mortes por câncer.
Balela? Lembre-se que nós, seres humanos, somos de natureza eletromagnética. Leves correntes biológicas nos fazem funcionar. Nosso cérebro, afinal, comanda nosso corpo por impulsos elétricos. E exatamente essa interação entre nossos equilibrados campos elétricos e a poluição eletromagnética provoca alteração em nossos campos biológicos.
Alguns estudos (em sua maioria teses) alarmam sobre outros efeitos além do câncer nos seres humanos, como leucemia, alterações no sistema reprodutivo e diversos danos ao cérebro, como insônia, cansaço, nervosismo e muitos outros, podendo gerar depressão e até suicídios.  Isso sem falar nos distúrbios gastrointestinais, reumatismo, problemas pulmonares e cardíacos, distúrbios hormonais, fraqueza imunológica...
Lá vou eu de novo: algumas espécies de aves, como o pombo-correio também sofrem com a poluição eletromagnética. Sim, mais do que simples desemprego, estes agora têm problemas com sua orientação. Estas aves sempre conseguem voltar para casa orientados pelas ondas eletromagnéticas dos polos da terra. Regiões que apresentam muitas antenas de telecomunicações dificultam suas orientações. É comum em tais lugares encontrarmos pombos-correio perdidos nos centros das grandes cidades. Desorientados, sem saber para onde irem...
Há uma teoria, pouquíssimo conhecida, que afirma que o excesso das ondas eletromagnéticas pode interferir também no meio ambiente. A teoria se baseia no principio básico que, como tudo ao nosso redor, as energias eletromagnéticas são formadas por átomos e moléculas específicos. Estes, ao interagirem com as moléculas e átomos que compõem nossa atmosfera, nosso meio ambiente em si, acabam por interferir no equilíbrio de tal composição. Não percebemos isso porque tudo ocorre a um nível ainda desconhecido para nós. A interação altera o componente que compõe a base dos átomos, a um nível “sub-sub-subatômico”. E tais mudanças seriam então as principais responsáveis pelas mudanças climáticas no planeta, pois o ar, alterado, passa a reagir de maneira anômala com os raios solares, também modificados. Num equilíbrio totalmente desconhecido e desequilibrado.
Além dessas mudanças, diz também tal teoria que nós mesmos, lenta e gradativamente estamos sendo alterados em nossos compostos básicos. Expostos há tantos anos às energias que nos rodeiam, e de forma tão frequente, diversas e desconhecidas alterações já se manifestam em nós – e a nível genético. Caso consigamos sobreviver até lá, serão percebidas, daqui a milhares de anos, mudanças nos seres humanos simplesmente inimagináveis nos dias de hoje. Ao vencermos, naturalmente, as implicações iniciais que hoje denominamos câncer (ou seriam os primeiros efeitos colaterais) o resultado da união das energias em questão nos trará algumas capacidades diferentes. Por questões de adaptação talvez, ou quem sabe praticidade, seremos uma raça com possibilidades de captação, compreensão, transmissão e até geração de energias semelhantes às magnéticas de hoje. A adaptação talvez nos custe algumas reações, pois do mesmo modo que nossos ancestrais perderam pelos, unhas e outras características, perderíamos talvez a visão, a capacidade da fala, de nos relacionarmos. Quem sabe?
Somente os mais fortes, os sobreviventes, chegarão a este estágio. E um novo Darwin então, seja este real ou virtual, irá continuar a Teoria da Origem das Espécies.

Se você não conhece a teoria de Darwin, meus pêsames... Agora, se nunca ouviu falar da Teoria anterior, não se preocupe, você não é uma pessoa desinformada. É que (hoje), 30 de dezembro de 2014, deitado desconfortavelmente numa rede - por tentar exatamente escrever este conto, “desenvolvi” sozinho esta Teoria. Claro, sem embasamento ou estudo científico algum. Apenas especulações futuras. Que servirão para desvendarem meu conto a seguir.
Agora, caso exista mesmo tal Teoria, asseguro-lhes não se tratar de plágio. Posso provar que meu Modem, na data em questão - e até hoje – não registra nenhuma incursão à Web sobre este assunto. Além disso, mantenho sempre um fiel ritual ao escrever: primeiro uso apenas papel a caneta para depois, ideias já definidas e devidamente transformadas em garranchos, executar a parte mais infame do trabalho – a digitação. Então fique tranquilo, não em relação à minha sanidade, mas sim quanto à hipótese lançada sobre as consequências da Teoria, pois elas têm grandes chances de nunca acontecerem.

Voltando ao ponto inicial, como seria se pudéssemos ver, a olhos nus, toda essa comunicação que nos rodeia, nos atravessa e nos polui dia após dia? Que cor ou aspecto teriam? Como isso tudo seria percebido em nosso mundo já tão atribulado e carregado, visualmente falando? Seriamos nos capazes de também interagirmos com esses dados, compreendendo seus conteúdos de alguma forma? E como seriam vistas, aceitas e julgadas em nossa sociedade, as primeiras pessoas com esse novo “dom”?
Esta é então sua ultima chance de desistir da leitura a seguir, pois ela trata exatamente sobre isto: alguém que simplesmente podia ver o mundo exatamente como ele é: rodeado de informações que se fundem ao ar que respiramos, num volume tão grande que forma uma estrada sobre, sob e dentro de todos nós.